Páginas

quinta-feira, 2 de novembro de 2017

Exposição | A cor das palavras ... E se fosse música ?

 Exposição | A cor das palavras... E se fosse música ?

Pintura | De Pilo da Silva
De 9 de Novembro a 15 de Dezembro
Inauguração da exposição: Novembro 9 | 17h
Sala Multiusos da Biblioteca FCT NOVA



As obras agora apresentadas são parte do trabalho desenvolvido ao longo dos últimos dois anos e estão organizadas em dois grupos entre si relacionados. Foram concebidas de forma a se integrarem na ideia geral de que as palavras, as letras, na sonoridade da sua fonética nos sugerem cores e formas do mesmo modo que a música, combinando harmoniosamente entre si sons de grande riqueza cromática, nos sugerem formas, cores, ritmos.


GEOMETRIAS E NÚMEROS

A palavra de origem grega caos, de acordo com uma das definições do Dicionário Houaiss de Língua Portuguesa, significa: “na tradição platónica, o estado geral desordenado e indiferenciado de elementos que antecede a intervenção do demiurgo, por meio da qual é estabelecida a ordem universal.”
Curiosamente uma das exposições de 2003 de Manuel Pilo da Silva intitulava-se “entre o caos e a ordem”.
O artista herdeiro do movimento de abstracção geométrica e da sua vanguarda pictórica do princípio do século XX, representada por Piet Mondrian, Wassily Kandinsky, Hilma af Klint e Victor Vasarely, entre outros, Fernando Lanhas, Maria Keil e Nadir Afonso, em Portugal, partilha uma das suas preocupações da cosmogenia: o caos ou vazio patente em toda a realidade exterior é reorganizado pela capacidade racional do indivíduo. É uma luta permanente e intrínseca do ser humano e por vezes a impotência e angústia no fracasso da reestruturação do mundo exterior transforma-se em expressão artística.
E aqui temos Pilo da Silva com este seu último trabalho a querer com as suas pinceladas limitar-nos a um universo bidimensional onde a razão se traduz na organização geométrica e posteriormente matemática.
A sua pintura, polida, cuidada e com o rigor que lhe é próprio, adquire equilíbrio na combinação das formas geométricas com a luz e as vibrações das longitudes de ondas cromáticas que a compõem.
Em algumas das obras expostas deparamos com muitas figuras geométricas que se transformam em signos do nosso alfabeto: a linguagem escrita como exteriorização da razão e os números como base essencial das ciências.
Em um dos trabalhos, de forma quase desapercebida num parêntesis figurativo, e certamente como provocação, está representado um pássaro amarelo em cima de um quadrado vermelho, contemplando a obra como espectador tal como nós. Possivelmente no intuito de avisar que todo o esforço de introspecção não deve jamais pôr de parte a realidade do nosso quotidiano e, a modo orteguiano, a nossa circunstância.
Encontramo-nos perante uma obra exposta com coerência e bem fundamentada na qual o pintor optou por acompanhar a exposição na Biblioteca da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade Nova de Lisboa, Campus da Caparica, com música de Erik Satie e as suas notas límpidas, claras e simples, criando assim um conjunto de acentuada beleza.

Manuel Pilo da Silva em Prelúdios um livro de poemas da sua autoria, no capítulo “Desencontros” diz: “Existem precipícios nas palavras que ocultamos”
Devemos entender por certo que o precipício é o vazio e o caos, que o artista combate com a sua pintura.

Roberto Santandreu
Cascais, Novembro de 2017

BIO | PILO da SILVA

MANUEL ESTEVÃO PILO DA SILVA
nasceu na Margueira (Almada) em 1932.

Participou em diversas exposições entre as quais se contam:
- 1.ª e 2.ª exposições de Artes Plásticas da Fundação Calouste Gulbenkian em 1957 e 1961
- IV Exposição Colectiva de Artes Plásticas, Galeria Pórtico,1957
- Exposição de homenagem à Companhia Brasileira de Teatro Maria Della Costa, Teatro Apolo, Lisboa, 1957
- Entre 1956 e 1957, juntamente com António Domingues, Rui Filipe, Francisco Relógio e Artur Bual, entre outros, organizou e participou em exposições didácticas em Associações Académicas
- Exposição de Artes Plásticas integrada na Feira Internacional do Livro e do Disco – F.I.L., Lisboa, 1975
- Exposição individual na Galeria do Centro Municipal de Cultura de Castelo de Vide, Junho 2000
- Exposição individual na Galeria de Exposições do Clube Portugal Telecom, Lisboa, Novembro de 2000
- 3.ª Bienal de Artes Plásticas da Marinha Grande, Outubro e Novembro de 2000, com itinerância no “Ayuntamiento de San Ildefonso - La Granja”, Segóvia – Espanha, Dezembro e Janeiro de 2001
- 7.ª e 8.ª Exposições Internacionais de Vendas Novas, Auditório Municipal, Vendas Novas, Outubro e Novembro de 2001 e 2002
- Exposição individual no Clube Thomarense com o patrocínio da Comissão Central da Festa dos Tabuleiros de 2003

Em 1958 fixou residência em Madrid onde trabalhou até finais de 1959. De regresso a Lisboa dedicou-se também à actividade publicitária e ao desenho gráfico
Está representado em colecções particulares em Portugal, Espanha e Suécia
Encontra-se citado no “Portuguese 20th Century Artists”, Michael Tannock, 1978









Sem comentários:

Enviar um comentário